10 junho 2015

MasterChef 2x4: A luta de classes no MasterChef e as juras de Aritana na zona de conforto

Por Helder Miranda, com a colaboração de Luís Alberto Buchholz Ribeiro

Aritana jura que sabe cozinhar. Mas saber cozinhar é premissa básica em um "MasterChef" de qualquer nacionalidade. O problema é que ela não sabe fazer doce, logo, não tem condição para sequer participar do programa. O que a fez entrar, então? A mistura entre o sobrenome famoso, o que geraria interesse de ainda mais telespectadores pelo programa, e a habilidade de cozinhar pratos salgados. Habilidade não é cozinhar bem, habilidade é habilidade, não passa disso.

Aritana jura que teve um pesadelo com uma prova em que seriam testados os dons culinários para fazer sobremesas. Disse que não era a bad girl que aparentava ser, aquilo era só casca, mas se desmentiu completamente quando tirou o corpo fora e resolveu salvar a própria pele, arriscando o pescoço de participantes que se saíram melhor que ela naquela prova que serviu um almoço a militares. Ou seja, não pensou duas vezes antes de colocar na berlinda outra pessoa mais merecedora que ela, pelo desempenho na prova que ela liderava, para fugir do próprio pesadelo. 

Voltando no tempo, para servir um batalhão de 100 alunos da Força Aérea Brasileira, foram separados dois grupos, liderado pelos executores dos melhores pratos do episódio anterior, que foram escolhendo um a um de seus ajudantes. O “Azul”, comandado por Murilo, ficou com seis integrantes e se atrapalhou demais com muita desorganização e liderança perdida. O “Vermelho”, com Aritana à frente, teve um participante a mais e parecia estar bem mais organizado, mas a edição deve ter feito assim para que se pensasse que o “Azul” perderia. 

As duas equipes tiveram problemas em cozinhar para uma grande quantidade de cadetes. O time de Murilo decidiu não servir o prato queimado e o substituiu por cuzcuz. O chef francês não perdeu a chance de ter uma atitude ridícula e chamou o participante de perdedor, ameaçando continuar sendo exigente até que ele desista do programa. O que Jacquin faz é atrapalhar todo mundo. São coisas que se digam para um participante e seu grupo durante uma prova? Pressão no "Azul" e no "Vermelho" não? Isso parece preferência...

Até a chinesa Jiang, que parecia tão segura de tudo e agora está sempre atrapalhada, nervosa, foi desestabilizada por tanta tirania. Esses chefs desestabilizam até os milenares orientais. Por muito menos, muitos teriam desistido, os jurados estão impossíveis nessa temporada, não há a necessidade de serem tão maus.

Aritana, elogiada pela postura de líder, descobriu que o arroz carreteiro feito por Iranete estava queimado, mas resolveu servir o prato - se Aritana “bancasse” essa escolha, e seguisse para a prova de eliminação, tudo bem, mas... No fim das contas, mesmo com um integrante a mais, o “Vermelho” de Aritana perdeu, e o programa acabou conduziu ao pensamento de que os jurados diriam algo em torno de: “Esquecemos de dizer que hoje saem dois. Você, Aritana, é uma delas!”.

Aritana jura que não era essa a intenção, mas, com a atitude de se acovardar diante do pesadelo que afirmou ter, trocou de lugar com o advogado Rodrigo, que entregou uma sobremesa com chocolate endurecido. Se isso serve de consolo, qualquer chocólatra assumido adoraria comer a engordativa guloseima. O advogado não estava em seu melhor dia, admitiu isso, mas vinha fazendo uma trajetória limpa, com bons pratos, e na disputa do almoço dos militares, tinha se saído realmente melhor do que os outros participantes. Isso era ponto pacífico e consenso entre todos. Mas vencer um reality show também requer sorte. Talento ele tem, e fico feliz que afirme que vai seguir esse caminho por uma satisfação pessoal.

Aritana jura que não tem nada pessoal contra a empregada doméstica Iranete. Mas essa implicância, que Aritana conseguiu espalhar para outros participantes, nada mais é que uma luta de classes. Iranete, a empregada doméstica, está lá, competindo de igual para igual. Não está numa posição subalterna, e nem abaixa a cabeça para ninguém. Gosto da maneira com o que ela segue as suas convicções, não seguindo as orientações impositivas da chef argentina que, dona da verdade, aparenta ficar contrariada quando alguém não segue o que diz.  

Não são eles, os chefs, que incentivam a personalidade do cozinheiro impressa nos pratos? Ficar parada naquela cozinha enquanto todos suavam querendo mostrar serviço foi um ato de resistência. Não foi à toa que a audiência do programa, nas redes sociais, queria que ela, a empregada que limpa o chão de pessoas que nunca limparam um, fosse salva. Pessoas como Iranete, nunca teriam a ilusão de ter a mesma oportunidade que patricinhas de grife (não terão, acredite), não fosse o mundo imagético da televisão.

Iranete  pode até ter deixado o arroz queimar, mas foi sob a liderança de Aritana que, por si só, jura que não tem culpa no cartório enquanto os outros fingem que acreditam. Quem jura mente, e aos poucos, dentro do programa, é possível saber separar caráter e jogo dentro de um mundo de vários ingredientes. Dois pesos e medidas: Aritana e Iranete.

A respeito dos outros participantes que se destacaram, Izabel, a minha querida bonequinha matryoshka, pregou um susto daqueles nos que torcem por ela quando se descuidou e deixou uma parte cortante fazer parte da sobremesa servida por ela. O publicitário Raul, santista da gema, com o seu jeito despachado, vem ganhando espaço e conquistando o respeito dos chefs e torcidas. Não é de hoje que santistas vem se destacando em programas culinários. A talentosa, doce e multifacetada Maisa Campos, no programa “Cozinheiros em Ação”, da GNT, fez escola e segue fazendo sucesso em seu ateliê de cozinha.

Mas não pude deixar de rir ao ver os conceituados “chefs du cuisine” remexendo aquele prato de chocolate feito por Raul. Paola Carosella tem a mania de cheirar a comida antes de degustar, o que acho um hábito horroroso. Erick Jacquin, o péssimo hábito de desconstruir a comida a ponto de deixá-la num estado lastimável e... nojento. Mas, especificamente naquela sobremesa preparada por Raulzito, mais pareciam chafurdar em uma poia de merda ainda quentinha. 

***

Bônus: a cena dos jurados remexendo a sobremesa de Raul me remeteu a esta cena do filme "Histórias Cruzadas", que me fez passar vergonha no cinema de tanto que gargalhei. Fala sobre a luta de classes, o tema dessa postagem, e de comer merda. Veja e ria também!



09 junho 2015

.: Masterchef Brasil 2x3: Para quem ficou órfão de Cássia, como eu

Por Helder Miranda

Dizem que o sabor da comida reflete em nosso estado de espírito. E, com a pressão que é imposta aos participantes, chega a ser um milagre que algo saia bom, mas sai. Dom ou talento? E os participantes que foram superestimados por um prato sobreviverão?

O episódio começou com os participantes ainda deslumbrados por estar dentro do programa. Izabela, com suas tiradas parecidas com a de uma personagem de literatura chick-lit ou de um seriado açucarado, vem ganhado espaço e o coração de alguns fãs. 

A artista plástica Patrícia foi a primeira eliminada. “Muitos vão sair, eu só fui a primeira. MasterChef é só um”, relembrou ela em depoimento. Sabrina trouxe um frango cru, e ninguém comeu o prato que ela fez. Foi a primeira injustiça, pois a eliminação de Cássia foi prematura. 

Eles perderam uma ótima personagem, um exemplo de superação e alguém que fez da cozinha no programa, aquela que aparentemente é o seu algoz, uma maneira de ser aceita. Fica a lamentação da perda de uma boa história para contar. Mas vão-se os anéis e ficam os dedos cortados, para variar, dos participantes. 

Cássia talvez fosse uma participante pautada pelo drama, pelo menos tudo o que ela apresentou – dela mesma, apresentou isso, ou parte disso. Mas ali poderia ser desenhada uma história de superação. Mas, ao mesmo tempo em que me penalizou a saída dela, também me deixou bravo. 


Quem se candidata ao MasterChef não pode ficar de “mimimi”, e essa foi exatamente a reação de Cássia e de outros participantes ao saberem que precisava depenar um frango. “Eu estive na cozinha do MasterChef. E isso significou um crescimento pessoal muito, muito, muito importante na minha vida”. Que assim seja, Cássia. Ela tem consciência de que o caminho é muito comprido, mas, sem autopiedade, pois em três programas já tivemos exemplos de que drama forçado e autocomplacência não combinam nessa jornada.

Essa menina, porque Cássia é apenas uma menina, merecia ter tido uma segunda chance - principalmente em comparação ao prato de Sabrina, que nem foi saboreado, além disso, ela já é uma mulher com, teoricamente, mais experiência que a caçula das duas edições do programa. 

Depois de uma segunda prova que eliminaram duas competidoras, vem a terceira prova entre os piores das disputas anteriores. Larissa saiu e eu não sei o que escrever a respeito desta candidata mediana, mas cheia de atitude e tiradas engraçadas. Ela reclamou, correta, do cansaço mental e físico, fora a correria. Para escolher um chef de cozinha, não precisa tanta desumanidade, para um programa de TV, sim, para o deleite dos sádicos telespectadores, como eu. Fizeram um ovo beneditino. Disseram que é um clássico, eu nunca ouvi falar. Jiang, minha musa chinesa, ficou, gosto dela. Marco ainda vai render. Sabrina, sobrevivente da primeira injustiça do programa, promete, à sua moda, dar pano para manga. 

E o que dizer daquela propaganda ridícula entre os chefs em um hipermercado ensinando figurantes de falas decoradas? Risível é pouco, mas pelo menos compensou o chororô do segundo episódio.

06 junho 2015

Por que chorei ao assistir o segundo episódio de “MasterChef Brasil”

Por Helder Miranda

Confesso que chorei de soluçar durante praticamente todo o segundo episódio de “MasterChef Brasil”. Ao ver os pratos desfilarem, indo e vindo, na frente de Érick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, pensei que ali não estavam expostas apenas porções de comida, mas sonhos de gente que nem sequer pensou um dia em se candidatar a um programa como este. 

Convenhamos, em duas edições brasileiras, o “MasterChef” não é sonho de ninguém que está ali, expondo o que cozinha e consequentemente se mostrando e disponível para ser humilhado. Respeito é bom, mas os chefs não gostam, preferem escarnecer, diminuir, talvez por se sentirem melhores fazendo isso. Mas por que o “MasterChef” não é sonho de ninguém e por que chorei tanto assistindo a um reality show? 

Porque a palavra “sonho” é usada de maneira incorreta. Só se é sonho quando se quer muito algo a vida inteira – uma casa própria, uma profissão, um casamento, uma cura. Todo o resto é “querer”, muito ou pouco, mas não passa disso. Então, quando alguém fala que “sonhava” em participar de algum reality show, chegar à final dele, essa pessoa não está falando de sonho, está falando de um desejo, muitas vezes para satisfazer o próprio ego, principalmente se for favorecido por uma edição.

Marcos, o administrador, teve a implicância imediata da chef argentina. Há algum motivo que faz com que ela imponha alguma distância entre ela e ele. Talvez seja o jeito de dono do mundo, metido a “bonitão”, que fez com que ela dissesse um sonoro “não” de cara. É nítido que Paola detestou o participante por alguma implicância gratuita, que é extremamente interessante ao telespectador.

O publicitário João Felippe, de 44 anos, prometia ser um grande personagem que, mais uma vez, nadou, nadou e morreu na praia. “Por que de novo?”, questionou a chef Paola. “Você estaria nesse lugar hoje se você tivesse desistido na sua primeira objeção?”, disse ele, numa sacada de publicitário, aparentemente bastante orquestrada para gerar uma cena forte e comoção entre os jurados. E o pedido para a mãe, que o havia ensinado a fazer o doce que o levou a ser aprovado, a entregar o avental em vez da chef, foi patético.

Se João Felippe (no início do programa o identificaram no BG como Luiz) tivesse ido longe e, mais ainda, se tivesse conquistado o troféu, ele iria pedir para a mãe entregar o troféu? Muita encenação. O que me incomoda em participantes como ele é que exageram na carga do drama e da autopiedade. É um programa de TV, o cara é publicitário, aparentemente não levanta uma grande causa, nem vai tirar a barriga da miséria se fosse o campeão da temporada, então, por favor, vamos parar de mimimi? Até porque, com tanto drama, se tivesse passado para a próxima etapa, o programa seria um porre...

Outro publicitário, o santista Raul Lemos, promete ser um grande personagem e vem surpreendendo. Os jurados não entenderam o jeito santista de ser, despachado, de bermudão, nitidamente procurando uma oportunidade, como todos os outros ali. E foi isso que me fez chorar. São muito poucos os que querem ser cozinheiros. Todos ali estão em busca de uma oportunidade que possa mudar, de alguma maneira, a vida. Não importa se só querem fama ou dinheiro, estão apostando tudo em um projeto que nem é deles e só visa audiência. 

Mas em questão de sonho, a produtora de eventos Izabel provou que tem esse sonho, já que cozinha desde os 12 anos e quase teve a trajetória no programa interrompida por Paola Carossela porque ela não apresentou firmeza. Henrique Fogaça corrigiu este que seria a primeira das grandes injustiças do programa. 

Neste episódio, dos participantes representativos, saíram a atleta adaptada Lanny, que era uma personagem interessante, mas que, justiça seja feita, não era o melhor prato, o publicitário João Felippe, que garantiu não tentar uma terceira vez (ainda bem), Fabiana, que assim que passou disse que iria para a final, o italiano Francesco e o músico Piero, Jane, que pareceu promissora com uma sopa de nome complicada e ensaiava uma “paquera de mentirinha” gostosa de se ver com o chef francês Jacques, foi mandada embora. “A gente começou com um jantar à luz de velas, e vai terminar nossa relação dentro de um galpão”. Rose, a amiga competitiva, que deve ter perdido a amizade depois de sua atitude no programa. Dezoito participantes, o joio do trigo, para formar o trigo que irá separar o joio, ou a joia. Chorei novamente.

05 junho 2015

MasterChef Brasil 2x01 - Sobre “MasterChef Brasil” e assédio moral


“Todos vocês sairão transformados daqui”. É a promessa que os participantes da segunda temporada de “MasterChef” recebem antes de, realmente, entrarem no programa. E parece piada pronta escrever o primeiro texto sobre o programa depois de três episódios seguidos. 

Na verdade, não entendi a correria dos episódios, com duração de quase duas horas cada, mas que teve a eficácia de separar os 18 participantes, ou o joio do trigo – aqueles que realmente sabem cozinhar do que os que apenas gostam. 

Mas acho perigoso, não considero ninguém, por mais renomado que seja, autoridade em julgar paladar. Cada um responde pelo seu. O que é ruim para mim, pode ser bom para os outros. No terceiro episódio, por exemplo, a chef argentina Paola Carosella elogiou um dos participantes que fez uma farofa de vísceras de frango... gente, que nojo!  Mas ainda estamos aqui para falar sobre o início de tudo, o episódio demasiadamente longo que foi separado em duas partes imensas em que os chefs distribuíram humilhações.

A versão brasileira do programa estreou sua segunda temporada com a promessa de grandes personagens. “Há dois tipos de comida: a boa e a ruim”, disse o chef francês Érick Jacquin. “Seja o melhor, ou volte para casa”, pontuou o tatuado Henrique Fogaça. “Parabéns, você fez o pior prato do dia”, condenou a chef argentina, numa das muitas frases desnecessárias do programa até então. Para procurar um novo talento culinário, em meio a tanta truculência, sobreviverá não o melhor, mas quem souber administrar de uma maneira menos traumática toda a sorte de assédio moral que irão receber ao longo deste programa. 

Mas o que me intriga é que se fosse um emprego de verdade, não um reality de televisão – e não estou considerando nem o prêmio em si – muitos dali teriam jogado a toalha ou, nesse caso, o avental e esfregado na cara de um desses cretinos que julgam e condenam sem a menor necessidade. Mas quem assiste não está ali por isso? O que está por trás de todo esse sadismo de ver pessoas, de todas as classes sociais, sendo humilhadas? Seria isso uma catarse coletiva? Ana Paula Padrão é, para mim, a personificação do sadismo. 

Totalmente desnecessário quando ela aborda alguém que está nervoso, com pressa... e o seu tom de voz entrega certa malícia, aparentemente quer mais é que o circo pegue fogo mesmo.

Em nome de R$ 150 mil em dinheiro, o valor de mil reais por mês durante um ano no cartão de uma rede de supermercados, um carro com capacidade de carga de 650 quilos para carregar tudo para um restaurante, um curso na Le Cordon Bleu, a mais prestigiada escola de gastronomia do mundo, em Paris e o troféu do programa, conhecido e prestigiado no mundo inteiro, os participantes enfrentarão, durante semanas de muita tensão, desafios e toda a sorte de humilhações até restar um por um.

Os gerente de projetos Fernando, de São Paulo, e o capoeirista baiano, Cristiano, como já foi mostrado numa espécie de sneak-peek do programa, prometem render barracos. Um prato cheio para um programa culinário em que a truculência e o sadismo de ver a comida feita pelos outros sendo debochada. Imaginei Rita Cadillac chorando – lembra que ela fazia isso na sexta edição de “A Fazenda”, quando falavam mal das comidas dela?

A blogueira e estudante Clara, a que fez hambúrguer mineiro, foi a primeira das grandes injustiças que serão cometida ao longo desses episódios. Quando a chef argentina questionou se ela trouxe o frango caipira vivo de Minas Gerais, convenhamos, uma pergunta imbecil, Clara teve uma reação automática: “não, tá doida?”. 

Depois destilaram uma série de injustiças – de que o prato serviria umas quatro pessoas, aonde, no restaurante deles que deve servir bem pouquinho? Eu comeria aquilo ali sozinho e, com certeza, iria querer mais. “Isso não é comida mineira”, disse a chef argentina. Aliás, quem é ela, uma estrangeira, para falar o que é, ou não, comida mineira? Só porque, teoricamente, tem um restaurante de sucesso em São Paulo?

Ao longo do programa eu imaginei o que se passa na mente das pessoas que se inscreveram e passaram ao longo dos testes, quando estão fazendo aquele caminho para apresentar o prato aos chefs. Nisso, a baiana Mima me provocou uma espécie de dejavu  - talvez as lágrimas dela durante todo o caminho e a execução do prato, o que tornou uma participante extremamente engraçada e carismática naqueles poucos minutos de tela, fossem as minhas. Outra perda irreparável, mas eles não estavam avaliando a comida? Por esse ponto, sim, ela não apresentou nada memorável.

Mas por outro lado, a história de Lane, a jogadora de voleibol adaptado foi mais levada em conta do que os seus dotes culinários. Ela, que foi elogiada pela própria apresentadora, Ana Paula Padrão, por não ter autopiedade de si mesma, só faltou esfregar na cara dos jurados que não tem uma das mãos. Será uma grande participante, sim, tem carisma o suficiente para levar o programa e angariar uma série de torcedores, também, mas foi muito menos cobrada do que outros que apresentaram pratos melhores e não ganharam o avental do programa.

Outra que se destacou foi Ariela, a filha de Oscar Maroni, que se destacou por ser... a filha do Oscar Maroni? Não achei nada demais, mas promete alguma coisa – ela mesma já afirmou que matava bois e propôs isso em uma prova para testar essa habilidade... bem maluquete. E a última participante, a gordinha Cássia, que afirmou que não gosta de nada. Dava para ver que, para ela, o peso da aprovação seria muito maior para qualquer outro, por, talvez, sempre ter sido nivelada por baixo, mesmo com tão pouca idade: 18 anos. Será que ela segura a onda, a pressão, e chefs insuportáveis sem meter a mão na cara de um deles? Acreditava, sinceramente, que sim... mas ela foi uma das primeiras eliminadas. 

Para o primeiro “MasterChef Brasil”, eles precisavam que alguém com imagem para tal. Não estou colocando nenhum demérito na vitória da primeira “MasterChef” brasileira (alguém tem notícias se algum brasileiro participou de uma edição internacional), Elisa Fernandes, que lançou até livro. Mas acredito que, desta vez, qualquer um possa ganhar, bonitos ou feios. Porque o primeiro vencedor é sempre o mais visado. Agora, a ideia deles é mostrar que todos podem vencer.

27 abril 2015

Entrevista com Marien Carretero, a mais artista de todos os ex-Big Brothers




"Sim, você está na televisão, mas na pior exposição possível"
Marien Carretero
Por Helder Miranda
Em abril de 2015


Nascida na cidade de Belo Horizonte, em berço de bailarina, Marien Carretero iniciou seus estudos na dança espanhola e balé clássico desde muito jovem. Na adolescência já participava de grandes produções e ajudava sua mãe Fátima Carretero com a Cia. de Dança Flamenca em Minas Gerais. Amante dos palcos, Marien também cursou interpretação para TV, Teatro e Cinema. E foi na sua própria cidade que recebeu o convite que lhe renderia grande visibilidade na mídia nacional. 


Em 2013, a mineira descendente de espanhóis foi uma das selecionadas para participar da 13ª edição do Big Brother Brasil, programa exibido pela Rede Globo de Televisão. Atualmente Marien divide sua carreira como bailarina de flamenco, mestre de cerimonias e presenças vips. A artista já está de malas prontas para morar em São Paulo, onde já tem grandes projetos para 2015. 

Nesta entrevista, uma parceria entre os sites Resenhando.comVotalhada e o blog Televizinha, ela conta absolutamente tudo a respeito do que as pessoas gostariam de saber sobre o confinamento no principal reality show do país.


VOTALHADA - Como a dança espanhola e balé clássico entraram em sua vida? 

MARIEN CARRETERO - A dança entrou na minha vida pelo fato de minha mãe ser bailarina,​ coreógrafa e diretora de uma companhia de balé flamenco. Ela tem formação clássica, foi a primeira bailarina do teatro Palácio das Artes na sua juventude, antes de entrar para o mundo flamenco,e dança clássica é a base para todas as danças. Comecei no balé aos quatro anos! No flamenco, atuo como umas das principais bailarinas da companhia da minha mãe, a Cia. de Baile Fátima Carretero, e sempre estamos nos apresentando em grandes teatros e participando de turnês com a direção de diversos diretores, como a Bibi Ferreira, Arnaldo Alvarenga, Deise Faria, entre outros. Eu me encantei pelo mercado de cenário e figurino, como os das grandes óperas "Carmen" de Bizet, "O Bolero de Ravel", e entrei para o ramo fazendo produções.



VOTALHADA - Amante dos palcos, você cursou interpretação para TV, Teatro e Cinema. Já tinha pretensões artísticas quando entrou para o BBB? 
M. C. - Na realidade, desde criança, como meus pais trouxeram o flamenco para o Brasil e o grande polo do flamenco era em Belo Horizonte, eles abriram um tablado de flamenco que se chama "La Taberna", com vinhos paella, sangrias, jantares românticos, uma casa incrivelmente cultural espanhola. Assim como o meu pai, que conseguiu trazer toda essa bagagem, eu, desde pequena, ficava nos camarins, assistia óperas, teatros, shows de jazz, piano, aulas contemporâneas... Cresci com isso, a arte faz parte da história da minha família, sou filha de coreógrafa e artista plástico, meu avô morou com o Picasso! Meu berço cheira a arte, não seria diferente me interessar. Comecei no teatro quando tinha oito anos, fiz propagandas, minissérie para a Band Minas ("Contos de Minas"), "O Dono da Rua", que teve exibições no cinema, entre outros.


VOTALHADA - Ser ex-participante deste programa atrapalha ou ajuda quem pretende ter uma carreira artística?
M. C. - É muito delicado para quem acha que vai entrar no BBB e sair com uma carreira artística, ou reconhecida pelo seu talento. Sim, você está na televisão, mas na pior exposição possível, porque é quando os nervos estão mais à flor da pele e as emoções estão lá... Ali não é um trabalho e, sim, o seu dia dia, onde até mesmo você descobre fraquezas ou forças desconhecidas, no qual você não tem oportunidade de mostrar o seu talento porque não está ali para isso e, sim, para jogar. Então, quando você sai da casa, você não é mais a Marien e sim a "ex-bbb". Certamente, para trabalhos específicos, atrapalha sim! Porque você já vem com uma marca que não é a sua. Tem que ser bem trabalhado e, se quiser estar na área, correr atrás dos seus sonhos e mostrar o seu talento.


VOTALHADA - Você é mineira e descendente de espanhóis. Como isso definiu sua personalidade?
M. C. - Ter a descendência espanhola, por parte do meu pai, com certeza fez a minha personalidade. Eu sou metade-metade: metade brasileira e metade espanhola, sangue quente, flamenco no pé, apaixonada por vinhos e uma roda de bulerias, flamenco não é baile, é estilo de vida. Sou forte, guerreira e sempre muito independente!



VOTALHADA - Com que objetivo você entrou no Big Brother? 
M. C. - Na realidade, o BBB nunca foi um grande sonho e, sim, uma oportunidade que existiu na minha vida. Assim como sempre, agarrei a oportunidade sem pensar, imaginando que seria bom e foi. Acredito que não tive tanta sorte por não ter um grande amor lá dentro, nem uma grande sintonia... Não sei se fiquei bem diferente do que sou....Acredito que todos que estão dentro da casa interferem na sua evolução... Gosto de todo mundo, apesar de quase não ter contato com ninguém que foi da minha edição, mas tenho carinho de uma oportunidade e vivência dentro da casa. Hoje faria tudo diferente, acreditaria mais na minha intuição.





VOTALHADA - O Big Brother é um programa que lida com estereótipos. Há os "sarados", os "barraqueiros", os "coitadinhos"... Em qual deles você acredita que se encaixava?
M. C. - Bom, antes de entrar... é o que sou aqui fora: sou "a feliz" e "a festeira". Sofri muito quando saí com meus amigos e famílias, e me  perguntaram o que houve comigo.. Lá eu me encaixei na "carente", "chorona" e "boa"! "Do bem" eu realmente sou, mas os sentimentos lá dentro se multiplicam. Tive uma coisa que aqui fora não tenho: medo e culpa. É muito louco ficar numa casa sem tanta harmonia.



VOTALHADA - Existe algum roteiro, ou vocês realmente vivenciam aquilo tudo espontaneamente?
M. C. - No BBB, desde o confinamento do hotel, perdemos todo o contato com o mundo de fora. É aquilo mesmo! Claro que a edição ajuda muito, isso depende do seu desempenho durante o programa.



VOTALHADA - O que é real, e o que é fictício, dentro do maior reality show do país?
M. C. - 
O real é exatamente todos os sentimentos ali vividos. E o fictício é viver com tanta intensidade os sentimentos, multiplicar problemas, viver achando que só existe aquilo porque naquele momento só estar lá dentro satisfaz.



VOTALHADA - Achou o resultado do seu programa justo? Em sua edição, quem você acredita que deveria ter vencido o programa, e por que?
M. C. - Acredito que foi justo sim, quando saí, torcia para outra pessoa, mas com passar do tempo vi que a Fernanda jogou muito bem! É inteligente, advogada, e soube jogar o jogo à sua maneira.



VOTALHADA - Você se arrepende de algo que fez, e não fez, durante o confinamento? O que?
M. C. - Eu me arrependo de não ter sido a Marien que está aqui fora: muito feliz, justa e festeira. Não fui justa comigo por medo de magoar as pessoas. Hoje seria totalmente diferente... Experiências (risos). A minha índole não mudou. Continuo sendo amiga, parceira e carente, mas seria menos intensa e não viveria tanto para agradar as pessoas



VOTALHADA - Para você, participar do "Big Brother Brasil" abriu ou fechou portas?
M. C. - É muito relativo, depende do que se trata, mas o importante é que conheci diversos tipos de pessoas.



VOTALHADA - Como foi, e é, a reação das pessoas, quando encontrarem você na rua?  
M. C. - Todos sempre muito curiosos com uma lista de perguntas (risos). As mesmas perguntas!



VOTALHADA - Você entrou no confinamento comprometida? Acredita que o relacionamento sobreviva? 
M. C. - Entrei solteira e não acredito. Acho que para participar de um BBB tem que desligar totalmente do mundo aqui fora.



VOTALHADA - Com quem você mantém amizade até hoje? E com quem você não quer contato de jeito nenhum?
M. C. - 
Quando encontro, cumprimento, mas confesso que a maioria nunca mais vi... Tenho contato com Yuri, Aslan, Ivan (Marcondes), Fani (Pacheco), com a Fernanda também, quando encontramos conversamos bastante. Sempre que temos a oportunidade de estarmos juntos, trocamos muitas conversas, mas são raros os encontros. Existe carinho, para mim o BBB valeu de experiência. O que ficou por lá, ficou. Não guardo nada que não foi de verdade.




VOTALHADA - Se pudesse voltar no tempo, participaria de outra edição? 
M. C. - Na realidade, gosto de várias pessoas de várias edições. Mas gosto da edição do (Diego) "Alemão" e do (Marcelo) "Dourado". Foram as histórias que mais gostei e com muita sintonia entre os participantes.



VOTALHADA - Como foi voltar para a vida real? Hoje, o que vem fazendo da vida?
M. C. - No começo é difícil, mas tenho os pés no chão, sou tranquila. Aproveitei o que podia aproveitar! Festas, badalos, flashes e, aos poucos, voltando a dançar e produzir como sempre... Vida que segue... Foi como se o espetáculo estivesse acabado e agora está em outra temporada.



VOTALHADA - Com qual outro participante, de qualquer outra edição, você se identifica mais? Por que?
M. C. - Ai, tenho carinho por vários! Adoro o "Alemão", "Mau Mau", "Júnior" do BBB 14, meu querido muso (risos), Monique, Rafa Oliveira. Fernando Mesquita, Lia Khey, Kelly , Francielle Almeida, Diego Grossi, Amanda Gontijo, Milene, Tati carioca. Tem vários, somos muitos, mais esses são os que mais tenho contato e gosto mesmoooooooooooo de encontrar. É muito bom estar perto, tenho sintonia,de caráter, de gostar das mesmas coisas, princípios, risadas, farras, amizade, companheirismo... Aaaah, amizade não se explica (risos).



VOTALHADA - Qual é a maior preocupação de quem está dentro de um confinamento?
M. C. - Para mim, o medo do que as pessoas achariam de mim a partir do que sairia na edição. Tinha muito medo do julgamento... Freud explica!



VOTALHADA - Existe alguma coisa faria você desistir do prêmio de 1,5 milhão de reais? O quê?
M. C. - Jogar com a emoção e a verdade do próximo, enganar, iludir.



VOTALHADA - Marien por Marien, como você se vê, e como acha que foi retratada na edição?
M. C. - Bom, a Marien daqui de fora é muito alegre, festeira, brincalhona. Adoro falar bobagem, estar com amigos e namorar... Lá dentro, fiquei carente e me senti sozinha. Aflorou sentimentos que aqui fora são bonitos, meu carinho, meu amor, minha amizade e cumplicidade. Lá dentro, fiquei "emoção demais" e isso me atrapalhou. Fiquei irreconhecível para mim, eu não gosto de assistir fico com raiva de mim (risos)!



VOTALHADA - Qual é o seu livro favorito?
M. C. - Gosto muito de ler. Não tenho um preferido, tenho fases e fases, mas me prendo a livros  como "a lei do segredo", curiosidades sobre o ser humano. Tenho vários momentos, depende da fase.



VOTALHADA - Qual é o seu filme favorito?
M. C. - Meu maior vício, impossível falar de filme e escolher um. Assisto pelo menos quatro filmes durante a semana... Vou ao cinema toda segunda, mesmo que sozinha... Meus preferidos são de suspense, adorei "Garota Exemplar", achei lindo. Eu me emocionei com "O Lado Bom da Vida" e me apaixonei por "O Grande Gastby", e me prendi no "Crime de Mestre",sou alucinada por filmes falo sobre isso com vocês por horas, e por aí vai...



VOTALHADA - Qual é o sua música favorita?
M. C. - Não existe uma música, existe o momento em que você está escutando e a fase em que está passando. Da MPB ,jazz, rap, eletrônico, ao sertanejo, o importante é tocar no momento. Eu gosto da "Take Me To Church" (Hozier), estou escutando ela agora para responder a entrevista (risos).



VOTALHADA - Quem é o seu ídolo... e por quê?
M. C. - Não tenho um grande ídolo, admiro vários artistas com seus talentos diferentes...
Tenho um carinho especial pela atuação de Isis Valverde, Fernanda Montenegro, Cauã Reymond, Deborah Secco, Alexandre Nero... me perco em tantos outros talentos. O carisma e seu verdadeiro olhar é Luciano Huck, o fenômeno Steve Jobs, entre outros vários. Eu me perco mesmo...



VOTALHADA - Qual seria o seu plano B se nada na sua vida desse certo?
M. C. - Não pensei nisso, luto para que tudo sempre dê certo... Nossos sonhos são do tamanho de nossa luta... 



VOTALHADA - Um recado para os fãs, no Votalhada?
M. C. - 
O amor de fã é o mais lindo e puro que existe. Ele alimenta,dá força, faz lutar e nunca desistir. Acreditam mais na gente que nós mesmos, os fãs são leais, verdadeiros e puros. Alimentam em um abraço, amor de fã é o mais lindo do mundo. Obrigada a todos vocês, que sempre estiveram do meu lado...Tenho e hoje sou amiga de várias: a Carla,a Ellen, Roberta, Lucas, Daniel, Ronaldo, Giovanna, Bruna Bárbara, enfim, claro que não estou falando nome de todos, mas esses cuidam de páginas e me acompanham onde quer que eu vá. Eu me tornei amiga, família, tenho carinho enorme por todos, leio todos  os recadinhos, vejo todas as homenagens, respondo o máximo que eu posso, porque sem os fãs eu não sou nada, e eu amo essa troca de energia. Obrigada pelo carinho sempre amores!


11 abril 2015

Frank Killer: Amor na Internet II


Amor na Internet II

O Amor Virtual seria indicado para pessoas céticas em relação ao amor e ao romance. Entre os que assistem ou são fãs de RS, e dentre esses alguns poucos, há os que só apreciam o jogo frio e calculista porque não acreditam no amor e nas amizades. Para eles todo romance ou amizade em RS é fingido e interesseiro.

Não é bem por aí, talvez só como regra geral, porque existem exceções importantes a considerar e, alguns ex-concursantes estão casados atualmente ou vivendo relações aparentemente estáveis após se conhecerem em confinamento. Para esses (espero que) poucos céticos, indico o Amor Virtual. Pelo menos entenderão como isso funciona em seus sentimentos, emoções e sensibilidades adormecidos ou semi-adormecidos.

A questão não é radicalizável e não há motivos para rotular de “caprichetes” quem é sensível, romântico ou romântica e gosta de ver amor e romance ou amizades em novelas e Reality Shows.

Sobre esse tema a questão básica é: Pessoas são solitárias e carentes em grande parte. Muitos são solitários cercados de pessoas. Alguns são intensamente amados e não amam a ninguém. São pessoas que não conhecem o amor ou o idealizam de uma forma impossível de encontrar ou realizar e materializar, principalmente quando há dinheiro na jogada ou em RSs. Trata-se de um materialismo em projeção, neste último caso, ou que se anseia projetar. Até agora!

Através da internet você pode encontrar esse amor ideal ou utópico, desde que não caia na tentação de materializá-lo ou tentar um encontro pessoal com esse fim. Certamente você se desiludirá, com raríssimas exceções. Por outro lado é complicado desiludir alguém que se sente feliz (mesmo com uma falsa felicidade), já que a felicidade é uma coisa muito relativa e pessoal. As pessoas não devem destruir seus próprios sonhos, ilusões e fantasias e nem os dos outros, pois precisamos deles para sermos psicologicamente sadios e desenvolvermos nossas mentes.

Sonhos são desejos e materializar esses sonhos são objetivos de vida, mas quando os sonhos são fantasias e ilusões irrealizáveis ou perigosas ou danosas ou têm grande potencial para magoar, devemos evitar a materialização e banir tais devaneios. Também não devemos fantasiar ou sonhar demais e viver no “Mundo da Lua” ou ficarmos alienados.

Segundo Monteiro Lobato, todas as realizações e conquistas da humanidade foram um dia sonhos, ilusões e fantasias que se tornaram realidades. “Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira – mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.” (Mundo da Lua, 1923).

Costumo propôr uma charada que diz o seguinte: “iludir com bons propósitos é a menos pior das 4 opções!” Você pode fazer isso a si mesmo através dos relacionamentos virtuais e tentar descobrir quais são as outras 3 opções. O amor platônico também é uma forma de amor e ninguém provou até hoje que não é sadio. Aparentemente o amor platônico não é incompatível com o amor “eros” simultâneo (real). Aliás as formas de amor não são incompatíveis entre si nem quando simultâneas são. Nenhuma das formas de amor é considerada perniciosa, desde que não as misturemos.

É discutível se uma pessoa é capaz de amar com a mesma intensidade mais de uma pessoa simultaneamente em qualquer tipo de amor (incestuoso, platônico, filia, eros e ágape). Sim, amor incestuoso também existe (misto de filia e eros), mas é reprimível e causador de desvios, neuroses, complexos e traumas psíquicos, mas isso não impede de ser considerado uma forma de amor, tecnicamente falando. Você deve evitar entretanto a mistura de tipos de um mesmo sentimento, principalmente de amor.

“Virtual Love” seria uma solução para quem vive um amor ou simulacro de amor na vida real, conturbado ou falso ou estressante, ou quem é incapaz de entregar-se de corpo e alma a alguém. Não existiria a obrigação de concretizar este amor (virtual) na prática e não teria os problemas que supõe-se existirem numa entrega ao amor real (não virtual). Por sinal, não há motivos para ciúmes de terceiros para com amantes virtuais, desde que permaneçam como virtuais, da mesma forma que não os há em relação ao amor dos irmãos da e pela pessoa que você ama, desde que não sejam incestuosos. Não faz sentido emocional os ciúmes entre formas deferentes de amor ou de amizade.

A razão para este ceticismo é que alguns não confiam na própria sombra e jamais entregariam ou confiariam os corações e seus impulsos, emoções e sentimentos a alguém dentre suas relações pessoais. A internet lhes permite vivenciar esse amor sem riscos, virtual e impessoal, sem contatos físicos e sensoriais, isto é, sem o uso dos sentidos básicos. As amizades também prescindem desses contatos. Esses tipos de pessoas também não se submetem a tratamentos psico-terapêuticos pelas mesmas razões.


Tive uma amiga na internet com quem me comunicava em bate-papos e que enchia sua página com artigos onde fazia a apologia da saudade. Ela não gostava de falar de (outros) sentimentos e se inebriava com a saudade que conseguia sentir, como se sentir saudade a fizesse muito feliz de alguma forma! Seria uma falsa felicidade, como tantas por aí. Algumas pessoas são infelizes e não sabem, assim como outras são felizes e não se dão conta disso também.

Em geral as pessoas não conhecem bem seus próprios sentimentos e não sabem que, embora não sejam totalmente controláveis, a psicologia seria uma grande ajuda para entendê-los e ensinar como sublimá-los quando necessário.

Falei para ela somente uma vez que saudade é um sentimento negativo e que a psico-terapia ou o conhecimento de psicologia poderiam ajudá-la a sublimar este sentimento e transformá-lo em ações e sentimentos positivos. Em qualquer área da medicina a vontade do paciente em se curar é essencial. Então…

Sabe o que ela falou? Que psicologia era coisa para loucos e me bloqueou em seguida! Ainda por cima, havia dito que eu era louco! Muitas pessoas são assim! Preferem viver uma falsa vida (ou falsa felicidade) no presente, calcada em fatos bons ou prazerosos do passado, já vividos, e deixam de desfrutar (e viver de) o que há de bom na vida no presente real (felicidade verdadeira) ou que desfrutariam no futuro.

O amor virtual seria algo com uma vaga (ou total – discutível e ainda controverso isso) semelhança com o deslumbramento por ilusionistas ou artistas talentosos, bonitos, carismáticos, etc, e creio, por isso, que não interfere em um amor real e, pode até talvez ser benéfico, para ajudar a compreender melhor seu relacionamento real ou meditar sobre seu cultivo para manter a continuidade. Claro que se você não quer manter o seu relacionamento real atual, não seria o caso de substituí-lo por um virtual! Que isso fique claro e assentado, pois seria fazer uma grande besteira!

 O importante é você compreender que o que é real quase nunca é o ideal em circunstâncias normais e, não é necessariamente pior, melhor ou igual ao que é ilusório ou virtual. São apenas coisas (ou amores) diferentes entre si.
Mas isso já é matéria para outra discussão em outro post, porque este já está grande demais! Quem sabe, um terceiro (post) sobre o mesmo tema viria a calhar?



As pessoas em geral devem ter algumas opiniões discordantes da maioria ou apreciarem coisas exóticas e estranhas ou preferirem e gostarem de algo que quase ninguém ou a maioria não gosta. Duvido que elas aceitariam ser rotuladas por causa dessas coisas ou serem depreciadas e menosprezadas por causa de opiniões pessoais, gostos exóticos ou preferências particulares. Portanto, não deprecie, não menospreze e nem rotule a outrem por essas mesmas causas!

O RS já chegou ao final e os concursantes não mais estão em julgamento. Portanto já é hora de parar com os julgamentos nominais, porque cabe processo por difamação e injúrias. Depois não digam que foram avisados e, com este aviso, considero cumprido o que me toca, para o bem de todos.

Falar do que foi observado no confinamento tudo bem, desde que sejam verdades, mas as ações e atitudes fora dele não estão em julgamento quando não forem públicas.


O RS já chegou ao final e os concursantes não mais estão em julgamento. Portanto já é hora de parar com os julgamentos nominais, porque cabe processo por difamação e injúrias. Depois não digam que foram avisados e, com este aviso, considero cumprido o que me toca, para o bem de todos.

Falar do que foi observado no confinamento tudo bem, desde que sejam verdades, mas as ações e atitudes fora dele não estão em julgamento quando não forem públicas.